terça-feira, 8 de junho de 2010

Meus olhos e os olhos de Raul Teixeira


amigo,

voce agora chegou de sua viagem,

e seus olhos se enriquecem mirando o mar de Niteroi
o balançar das ondas
que se refletem em sua pupilas,
e talvez o azul destas aguas se contrastem com o mar de seu olhar

e meus olhos se enriquecem mirando o céu azul infinito das Minas Geraes,
que começa intenso e se permite ir clareando com o dia
que chega pelo poente em reflexos dourados com as arvores tortas dos cerrados desta parte do lado de cá,
a cor da palha seca e seu cheiro quando chega o orvalho da noite fria
se reflete em meu olhar castanho

a maresia abraça sua pousada em aromas dos navegantes misteriosos
talvez cruzadores de tantos desafios
que passa pelo porto
antes de colocar em terra firme
a pele que sustenta o corpo do piso dos cascos de seus navios

aqui,
nossa pele carrega as particulas de polen
dos Ipês e Ciganinhas,
as argilas e as cinzas das queimadas,
em ventos de agosto que estao por vir,
e escutamos o pio daquelas aves buscando aconchego no anoitecer

quando voce caminha na areia da praia pode sentir a historia dos seres que morreram
conhas e mariscos
e deram origem
grao a grao
as ondulacoes lambidas pelas ondas
minuto a minuto

em meu caminhar
sinto as folhas secas que protegem o solo
fazendo barulho quando por elas ensaio minhas divagacoes
construindo meus sonhos presentes
ora distantes

talvez um dia,
possamos respirar ares proximos
desfrutando dos sons
das pegadas ao contacto
com qq concha quebrada
com qq pedaço de fruto de sibipiruna seco

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Abigail

Ela era filha de Joceb, irmã de Z
Jeziel,

na candidez de seus dezoito anos, era um gracioso resumo de todos os encantos,
das mulheres de sua raça. Os cabelos sedosos, caíam-lhe em anéis caprichosos sobre os ombros, emoldurando-lhe o rosto atraente, num conjunto harmonioso de simpatia e beleza.
No entanto o que mais impressionava, no seu talhe esbelto de menina moça,eram os olhos profundamente negros, nas quais intensa vibração interior parecia falar dos mais elevados mistérios do amor e da vida.

domingo, 16 de maio de 2010

Manhã de domingo



Nesta manhã de domingo de outono
nosso céu acordou sem nenhuma nuvem a torná-lo pigmentado nas cores das asas dos anjos,
Era uma manhã de céu que
De uma ponta a outra estava realmente
Infinito
Inacabado
Como me senti
Em minha caminhada matinal silêncio nenhum ouvi
Devido ao sono que envolvia os cidadãos daqui
Era um quadro fantástico que se abria aos meus olhos
Ficar a desfrutar o que restou do vento frio da madrugada em poucos cantos
Contrastando com qualquer vento quente
Fortuito
Que me roubava sua atenção
Em encontros de despertamento
E chamamento
Frios e quentes ao meu encontro
Procurava vez que outra identificar sons de distante originação
E quando sucedia meu êxito eis que brotava em mim
Algo que racionalmente identificava como
Um não sei o que
E arrancava de mim algo que era o meu eu adormecido
Que imobilizava minha ambição
Abria campo aos sentidos guardados nas caixas de madeira
Busquei em meu almoço o frescor das verduras e do azeite de oliva
Fiquei ali sentado em frente da minha mesa ,palco de tantos eventos de minha e da vida dos meus,
A escutar um relógio antigo
Que hipnoticamente batia, com ritmo e cadencias resgatadouras
De minhas lembranças
Ainda não adquiridas
Após refeição frugal
Ainda me conservo ali
A escutar o mundo mudo
A refletir com minhas emoções de estranho apossamento que
Percorre
Vez que outra minha vida atual
Senti que buscava a terra profunda onde os vegetais que me alimentaram viviam
E esta energia de solo fértil impeliam meus dedos a escrever
Ao mesmo tempo imantava-me algo externo
Conduzia meus sentidos a separar vários seres que me habitam

Entao, a vida me soou diferente
como se eu fosse algo que nao sou
ainda
e fico a pensar
que sou

sexta-feira, 7 de maio de 2010

HOMENAGEM AS MÃES


HOMENAGEM AS MÃES






Minha mãe,
eu não sei quanto de mim veio de você
ou de meu pai
ou do mundo,
mas faço idéia.
Quando você me embalava
não tinha idéia de como eram seus sonhos, medos, frustrações, inseguranças
da jovem mulher que habitava você
e hoje, talvez, tenho apenas idéia de toda esta riqueza humana construída em sua mente.
Em meus olhos de filho ,
via grande mar que habitei em seu ventre,
e acompanhava seus passos no balançar da água que me envolvia e nutria.
Meu período de nascer chegou e ao invés de mergulhar em ti, te deixei, e comecei a navegar em teus braços, e nas melodias que provinham de sua voz, como vento que empurra o barco, embalando-me, em tentativas de buscar sono, sonho ou paz.
Mas meu corpo pedia crescimento e então te deixei uma vez mais, para buscar outro mundo, onde minhas pernas me deslocavam por onde eu queria ir.
Veio-me a puberdade e a tensão se instalou em mim, e talvez nunca mais me deixou. Não tenho mais o mergulho nas águas de tua placenta e nem mais o movimento de teu colo. Acompanho seus cabelos alterarem sua forma assim como o seu e o meu corpo. Os anos nos buscam e mais e mais procuro entender-te e a mim, mas juntamente com nosso envelhecimento, e amadurecimento, noto que aprecio muito mais, esta minha parte que veio de ti, e que já a muito habita em mim.
Singro minha vida e te tenho em minhas memórias, conscientes e inconsciente.
Hoje é teu dia, posso fazer muito mais que te dizer obrigado, mas escrever-te é mais fácil que falar-te, então componho esta música só de letra sem música para honrar teus esforços de me fazerem mais humano,
Beijo no coração
Seu filho

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mensagem à estagiária de psicologia da UTI-UFU


Layla,Layla

vc nao vai aprender nada comigo,
pois vc já sabe muito mais que pensa que sabe,

o que vc pode

fazer é simplesmente
fazer a ponte

de sua sabedoria
com seu comportamento

e deixar aflorar este potencial enorme que habita dentro de vc
e vc sabe disto

deixe-se governar pela Layla
aquela que governa seu sonhos de um mundo melhor

aquela que fortalece as relaçoes que estao fragilizadas
aquela que rompe onde deve romper

e permitir que na hora certa
no momento certo
quando vc sobe a rampa do hospital

entrando em sintonia
com aquele mundo que vc quer semear

e qdo diz ao marcelo da recepcao
ou a dalva

boa tarde

seu boa tarde ecoa lá no fundo do ultimo quarto da uti, leito 9

como se naquele momento
pudesse se despir de seus fragmentos reducionistas
e colocar o capote verde
do holismo
do homem e da mulher integral

vc entra nele
e ele
entra em vc

e seus pés ficam mais leves
e seu olhar muda
sua fala é mais mansa, mais sábia
seus passos se permitem ficar mais seguros

e em cada um que te encontrar
vc o toque
com seu sorriso
com seu envolvimento

e a gente pode ir entao
sentindo um friozinho dentro do cerebro
e se permitindo
chegar no primeiro leito a atender
no primeiro familiar a atender

começando assim:

- com estas experiencias, nunca mais , a gente vai poder olhar o infinito azul do céu,
da mesma maneira,
pois a dor,
pode,
nos ensinar algo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

nascer

Ouça o Criador a cantar.
Ouça.
Em seu interior surge uma Canção.
Ela brota suave, espalhando pelos ares
seu cheiro doce de Paz...
É uma criança a nascer.


Posso ouvir a Canção mansa surgir,
Como as águas claras de uma cachoeira calma,
Tão protegida pelos verdes vales...
Até posso ver
pequenos pedaços de um dente-de-leão,
rodopiando e dançando junto ao vento,
depois de um sopro de Deus.

De um ventre de mãe,
Emerge mais uma semente em busca de Luz.


Um Ser,
Que mergulha, todos os dias,
no incansável vento da vida,
se espalhando pelas experiências que surgem,
como os pequenos pedaços de dente-de-leão...


Todo Ser que nasce de um sopro,
são águas de cachoeira.
Brotam das pedras, correm os rios,
percorrem caminhos...
... E sempre voltam ao mesmo lugar,
Buscando pela canção que o fez nascer

Karina

domingo, 28 de março de 2010

Aos pés do aconcagua


hoje me emocionei aos pes do aconcagua
o sentinela de pedra

o ceu azul celeste parecia formar uma aurelola a sua volta

como imponente rei
a mirar do alto
perto dos ceus
a terra inteira
e a admirar-lhe
a rir-se dela
e de nós

ele impavido
crescia
incrivel saber que ele tao grandioso
ainda se move

e diante desta grandeza
procuro seguir a este exemplo
mas
pego me ainda pequeno
imovel

um glacier tocava-lhe em ampla area
que ao contato com luz solar
me refletia o azul
a abrigava corpos
talvez almas
dos que tentaram escala lo
um dos nossos brasileiros ainda estah lah
e morreram sem poder ter ser corpos repatriados

e na minha busca tento me repatriar
a Ele
o filho prodigo
que gasta sua fortuna
e agora procura seu caminho

e agora a noite
te escrevo
e ele continua lah
guardando as americas

nos observando
falando baixinho aos ouvidos do Criador
divertindo se de tudo

e continua a crescer
no seu tempo
em seu ritmo

e eu vou voltando as terras das minas
onde deram me a oportunidade de voltar a esta etapa

e agora meus neuronios me alertam de fadiga
e preciso te deixar

talvez
com esta mensagem
de beleza
do
sentinela de pedras

que mora ao lado tupungato
irmao de pedra

o mirador de estrelas

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

POEMA DA GRATIDÃO


Senhor Jesus, muito obrigado!
Pelo ar que nos dás,
Pelo pão que nos deste,
Pela roupa que nos veste,
Pela alegria que possuímos,
Por tudo de que nos nutrimos.

Muito obrigada, pela beleza da paisagem,
Pelas aves que voam no céu de anil,
Pelas Tuas dádivas mil!

Muito obrigado, Senhor!
Pelos olhos que temos...
Olhos que vêm o céu,
que vêm a terra e o mar,
Que contemplam toda beleza!
Olhos que se iluminam de amor
Ante o majestoso festival de cor
Da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles
Ao Teu nobre Coração!
Eu sei que depois desta vida,
Além da morte,
Voltarão a ver com alegria incontida...

Muito obrigado pelos ouvidos meus,
Pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
O Teu nome sublime, e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registam:
A sinfonia da vida,
No trabalho, na dor, na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
As lágrimas doridas do mundo inteiro
E a voz longínqua do cancioneiro...

E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar...
Eu sei que no Teu Reino voltarão a sonhar.

Obrigado, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
Pela voz que canta,
Pela voz que ajuda,
Pela voz que socorre,
Pela voz que ensina,
Pela voz que ilumina...
E pela voz que fala de amor,
Obrigado, Senhor!

Recordo-me, sofrendo, daqueles
Que perderam o dom de falar
E o teu nome sequer podem pronunciar!...
Os que vivem atormentados na afasia
E não podem cantar nem à noite, nem ao dia...
Eu suplico por eles
Sabendo que mais tarde,
No Teu Reino, voltarão a falar.

Obrigado, Senhor, por estas mãos, que são minhas
Alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
Pelas mãos que fazem ternura,
E que socorrem na amargura;
Pelas mãos que acarinham,
Pelas mãos que elaboram as leis
E pelas que as feridas cicatrizam
Retificando as carnes partidas,
A fim de diminuírem as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
Que amparam o sofrimento estancam lágrimas,
Pelas mãos que ajudam os que sofrem,
Os que padecem...
Pelas mãos que brilham nestes traços,
Como estrelas sublimes fulgindo nos meus braços!

...E pelos pés que me levam a marchar,
Erecto, firme a caminhar,
Pés da renúncia que seguem
Humildes e nobres sem reclamar.

E os que estão amputados, os aleijados,
Os feridos e os deformados,
Os que estão retidos na expiação
Por crimes praticados noutra encarnação,
Eu rogo por eles e posso afirmar
Que no Teu Reino, após a lida
Desta dolorosa vida,
Poderão bailar
E em transportes sublimes
com os seus braços também afagar.
Sei que lá tudo é possível
Quando Tu queres ofertar,
Mesmo o que na Terra parece incrível!

Obrigado, Senhor, pelo meu lar,
O recanto de paz ou escola de amor,
A mansão de glória
Ou pequeno quartinho,
O palácio ou tapera,
o tugúrio ou a casa de miséria!
Obrigada, Senhor,
pelo amor que eu tenho e
Pelo lar que é meu...

Mas, se eu sequer
Nem um lar tiver
Ou teto amigo para me abrigar
Nem outra coisa para me confortar,
Se eu não possuir nada,
Senão as estradas e as estrelas do céu,
Como sendo o leito de repouso
e o suave lençol,
E ao meu lado ninguém existir,
vivendo e chorando sozinho ao léu...
Sem um alguém para me consolar
Direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor, porque te amo
e sei que me amas,
Porque me deste a vida
Jovial, alegre, por Teu amor favorecida...
Obrigado, Senhor, porque nasci,
Obrigado, porque creio em Ti.
...E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigado, Senhor!

sábado, 9 de janeiro de 2010

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domingo, 8 de novembro de 2009

RABINDRANATH TAGORE

© TERAPIA E VIDA
Maira Gall