Poesia
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Poesia - Ela


Rogo a mim a oportunidade
De você me conceder
Deslizar sobre o vento do teu perfume dos teus cabelos
E rodopiar –me por sobre teus braços
Tua pele e boca ,
o ensejo
A avançar sobre teu convite,
No suspiro,
Vendo agora teus dentes alvos e vividos,
Por mim
Desfrutados
Nas poses sensuais, das curvas de tuas veias,
Linfa sempre a correr
Descortino o alvo de teus olhos
Minha imagem
Gota a gota misturar-te
E após tudo
Em teu recuo
Lá no fundo do fundo
Ver-te a pensar
sentada acariciando-se
Na meia sombra e sua luz
O chão,o pensamento,
Vaga,
Misturando teu olhar teu perfume
Com ar
De quem já vai.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Tu me queres? (poesia)


perguntas se gosto-te
então
pergunta a elas
as nuvens
fofas gordas com cabelos brancos cacheados,
subjetivas
voláteis
volúveis
e talvez entendas a reposta.

Perguntas se amo-te
então
pergunta a ele
céu azul
infinito impávido
inconstante
onipresente
por onde vou me segue e tudo me sabe
e talvez nele encontre-me também


se queres saber se quero-te
então
pergunta a elas
ondas do mar
que quando crescem tornam-se altivas e majestosas
aproveita o momento pois logo em seguida
o vento as transforma em magras refletoras

se queres saber se penso em ti
então
pergunta a ela
a noite
negra cintilante
o puro mistério de todos os crimes de amor
e beijos roubados
manto de sol morto

se tu me importas?
Então...
olha as nuvens flutuantes do céu transparente de meses de inverno,
mas olhas também
alguns meses de outono,
olha seus personagens
vê a imensidão infinita do céu
vai até a beira do mar e respira as ondas borbulhantes de mim
e deixa que a noite coloque o orvalho em teus pensamentos
se conseguires me ver
nos teus colóquios e cismares
saberás a resposta.

sábado, 25 de abril de 2009

Poesia Outono

Faz tempo que não via o brilho dele
Gargalhando e transformando em ouro por onde toca
Por entre as ovelhas volúveis fofas brancas
Que céleres deslizam-se pelos meus olhos
Quase míopes
Muito castanhos

Mas naquele dia todas as borrascas azuis acinzentadas
Permitiram
e se pode permitir

era um final de tarde e a linha sinuosa da terra
acariciava sua luz
tímida presente
quase diferente

E na comemoração daquela visão
Toco meu deleite
Respiro do ar que a transformação convida

No dia seguinte é outono
Acima de tudo está azul muito
As ovelhas partiram para sempre
Até a próxima chuva

E se o mato verde agora reina
Em breve vem o cheiro de palha seca
As ventanias de cachorro louco
Os lábios rachados que a meninas teimam umedecer

O mundo muda
Junto com ele a gente também
Mesmo que teimamos em ficar
Estando no eterno partir

quarta-feira, 4 de março de 2009

Poesia-Sensibilidade

parece que a cor laranja se misturou ao roxo
por sobre o lago
quase congelado na manhã que desperta enfumaçada
as primeiras cores da aurora afugentam a noite
e a água que pára
no filme imóvel
que se forma aos meus olhos
e arrepia minha pele
faz me lembrar de sua sensibilidadedo
lago refletor dos mistérios de Ti
é tanta tua sensibilidade
é a asa da libélula
que teima em flutuar
despencando pelas moléculas do ar da manhã
toca de leve após o pouso
a água gelada do lago
refletor de Ti
e vem o movimento
e vê o movimento
em ondas simétricas
no limiar do sentir
comparo-te ao vento quente que sobe da terra rumo ao céu
toca arrancando as sementes de dente de leão de seu cálice,que as elevam em rodopios e liberdade
após o sopro que vai, teimam agora em cair
e novamente tua sensibilidade me espanta
não sei se és mais a superfície da água do lago frio ou a asa que cai
mas ambos tocam meus sonhos
a folha na madrugada
encorpada com água na ponta uma gota orvalho
dependurada ao menor toque a queda
e ela continua dependurada talvez esperando o movimento que a fizesse precipitar
Tocas aqui simplesmente com o balançar de cabelo
Num gesto de espanto,num curvar de pescoço
quando me mostras a outra face inocente
que fico a admirar.
© TERAPIA E VIDA
Maira Gall