quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mensagem à estagiária de psicologia da UTI-UFU


Layla,Layla

vc nao vai aprender nada comigo,
pois vc já sabe muito mais que pensa que sabe,

o que vc pode

fazer é simplesmente
fazer a ponte

de sua sabedoria
com seu comportamento

e deixar aflorar este potencial enorme que habita dentro de vc
e vc sabe disto

deixe-se governar pela Layla
aquela que governa seu sonhos de um mundo melhor

aquela que fortalece as relaçoes que estao fragilizadas
aquela que rompe onde deve romper

e permitir que na hora certa
no momento certo
quando vc sobe a rampa do hospital

entrando em sintonia
com aquele mundo que vc quer semear

e qdo diz ao marcelo da recepcao
ou a dalva

boa tarde

seu boa tarde ecoa lá no fundo do ultimo quarto da uti, leito 9

como se naquele momento
pudesse se despir de seus fragmentos reducionistas
e colocar o capote verde
do holismo
do homem e da mulher integral

vc entra nele
e ele
entra em vc

e seus pés ficam mais leves
e seu olhar muda
sua fala é mais mansa, mais sábia
seus passos se permitem ficar mais seguros

e em cada um que te encontrar
vc o toque
com seu sorriso
com seu envolvimento

e a gente pode ir entao
sentindo um friozinho dentro do cerebro
e se permitindo
chegar no primeiro leito a atender
no primeiro familiar a atender

começando assim:

- com estas experiencias, nunca mais , a gente vai poder olhar o infinito azul do céu,
da mesma maneira,
pois a dor,
pode,
nos ensinar algo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

nascer

Ouça o Criador a cantar.
Ouça.
Em seu interior surge uma Canção.
Ela brota suave, espalhando pelos ares
seu cheiro doce de Paz...
É uma criança a nascer.


Posso ouvir a Canção mansa surgir,
Como as águas claras de uma cachoeira calma,
Tão protegida pelos verdes vales...
Até posso ver
pequenos pedaços de um dente-de-leão,
rodopiando e dançando junto ao vento,
depois de um sopro de Deus.

De um ventre de mãe,
Emerge mais uma semente em busca de Luz.


Um Ser,
Que mergulha, todos os dias,
no incansável vento da vida,
se espalhando pelas experiências que surgem,
como os pequenos pedaços de dente-de-leão...


Todo Ser que nasce de um sopro,
são águas de cachoeira.
Brotam das pedras, correm os rios,
percorrem caminhos...
... E sempre voltam ao mesmo lugar,
Buscando pela canção que o fez nascer

Karina

domingo, 28 de março de 2010

Aos pés do aconcagua


hoje me emocionei aos pes do aconcagua
o sentinela de pedra

o ceu azul celeste parecia formar uma aurelola a sua volta

como imponente rei
a mirar do alto
perto dos ceus
a terra inteira
e a admirar-lhe
a rir-se dela
e de nós

ele impavido
crescia
incrivel saber que ele tao grandioso
ainda se move

e diante desta grandeza
procuro seguir a este exemplo
mas
pego me ainda pequeno
imovel

um glacier tocava-lhe em ampla area
que ao contato com luz solar
me refletia o azul
a abrigava corpos
talvez almas
dos que tentaram escala lo
um dos nossos brasileiros ainda estah lah
e morreram sem poder ter ser corpos repatriados

e na minha busca tento me repatriar
a Ele
o filho prodigo
que gasta sua fortuna
e agora procura seu caminho

e agora a noite
te escrevo
e ele continua lah
guardando as americas

nos observando
falando baixinho aos ouvidos do Criador
divertindo se de tudo

e continua a crescer
no seu tempo
em seu ritmo

e eu vou voltando as terras das minas
onde deram me a oportunidade de voltar a esta etapa

e agora meus neuronios me alertam de fadiga
e preciso te deixar

talvez
com esta mensagem
de beleza
do
sentinela de pedras

que mora ao lado tupungato
irmao de pedra

o mirador de estrelas

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

POEMA DA GRATIDÃO


Senhor Jesus, muito obrigado!
Pelo ar que nos dás,
Pelo pão que nos deste,
Pela roupa que nos veste,
Pela alegria que possuímos,
Por tudo de que nos nutrimos.

Muito obrigada, pela beleza da paisagem,
Pelas aves que voam no céu de anil,
Pelas Tuas dádivas mil!

Muito obrigado, Senhor!
Pelos olhos que temos...
Olhos que vêm o céu,
que vêm a terra e o mar,
Que contemplam toda beleza!
Olhos que se iluminam de amor
Ante o majestoso festival de cor
Da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles
Ao Teu nobre Coração!
Eu sei que depois desta vida,
Além da morte,
Voltarão a ver com alegria incontida...

Muito obrigado pelos ouvidos meus,
Pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
O Teu nome sublime, e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registam:
A sinfonia da vida,
No trabalho, na dor, na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
As lágrimas doridas do mundo inteiro
E a voz longínqua do cancioneiro...

E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar...
Eu sei que no Teu Reino voltarão a sonhar.

Obrigado, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
Pela voz que canta,
Pela voz que ajuda,
Pela voz que socorre,
Pela voz que ensina,
Pela voz que ilumina...
E pela voz que fala de amor,
Obrigado, Senhor!

Recordo-me, sofrendo, daqueles
Que perderam o dom de falar
E o teu nome sequer podem pronunciar!...
Os que vivem atormentados na afasia
E não podem cantar nem à noite, nem ao dia...
Eu suplico por eles
Sabendo que mais tarde,
No Teu Reino, voltarão a falar.

Obrigado, Senhor, por estas mãos, que são minhas
Alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
Pelas mãos que fazem ternura,
E que socorrem na amargura;
Pelas mãos que acarinham,
Pelas mãos que elaboram as leis
E pelas que as feridas cicatrizam
Retificando as carnes partidas,
A fim de diminuírem as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
Que amparam o sofrimento estancam lágrimas,
Pelas mãos que ajudam os que sofrem,
Os que padecem...
Pelas mãos que brilham nestes traços,
Como estrelas sublimes fulgindo nos meus braços!

...E pelos pés que me levam a marchar,
Erecto, firme a caminhar,
Pés da renúncia que seguem
Humildes e nobres sem reclamar.

E os que estão amputados, os aleijados,
Os feridos e os deformados,
Os que estão retidos na expiação
Por crimes praticados noutra encarnação,
Eu rogo por eles e posso afirmar
Que no Teu Reino, após a lida
Desta dolorosa vida,
Poderão bailar
E em transportes sublimes
com os seus braços também afagar.
Sei que lá tudo é possível
Quando Tu queres ofertar,
Mesmo o que na Terra parece incrível!

Obrigado, Senhor, pelo meu lar,
O recanto de paz ou escola de amor,
A mansão de glória
Ou pequeno quartinho,
O palácio ou tapera,
o tugúrio ou a casa de miséria!
Obrigada, Senhor,
pelo amor que eu tenho e
Pelo lar que é meu...

Mas, se eu sequer
Nem um lar tiver
Ou teto amigo para me abrigar
Nem outra coisa para me confortar,
Se eu não possuir nada,
Senão as estradas e as estrelas do céu,
Como sendo o leito de repouso
e o suave lençol,
E ao meu lado ninguém existir,
vivendo e chorando sozinho ao léu...
Sem um alguém para me consolar
Direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor, porque te amo
e sei que me amas,
Porque me deste a vida
Jovial, alegre, por Teu amor favorecida...
Obrigado, Senhor, porque nasci,
Obrigado, porque creio em Ti.
...E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigado, Senhor!

sábado, 9 de janeiro de 2010

ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO A PESSOAS COM CANCER

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domingo, 8 de novembro de 2009

RABINDRANATH TAGORE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A PRIMEIRA VEZ E A GRATIDÃO

Eu me lembro da primeira vez que beijei uma mulher

numa festa de muito tempo

senti um misto de dor e aventura

quando a vida me mostrava emoções diversas

ensinando-me sua marca

as emoções tremedeiras

encostava-me na pele dela a fina pele de meus lábios.

E eu a deixei partir

em seu sorriso doce me disse adeus

e foi saindo

como uma nuvem que perde sua individualidade

e se mistura ao céu

camuflando-se de foliã

ainda com pescoço estendido e olhando para trás

me observando.

Desapareceu para sempre,
criando sua individualidade eterna em mim
sumindo de minha adolescência

e o remorso ainda hoje me pergunta

-Por que deixou, ela, partir tão rápido?

E eu olho a minha inexperiência.

II

Eu me lembro da primeira vez que fui pai

num hospital isolado do mundo

no canto silencioso receber em verdes panos

as fitas dos lábios dela

me ensinando outra dimensão

senti dor e aventura

país inexplorado da paternidade

tremi com ela em meus braços

quando a embalava ,

seu olhar perdido embaçado e vago

na docilidade de seu cheiro de primeiro dia de vida.

O remorso me perguntou

Por que não a embalaste mais?

Olhei para minha pequenez


III

Eu me lembro da primeira vez que o câncer entrou em meu lar

chegando do modo mais traiçoeiro

e dormiu na minha cama

muito tempo ao meu lado

no seio direito de quem mimou meus filhos

senti dor e aventura

mergulhando-me no verdadeiro papel do cuidador

ele adormeceu ao lado de seu coração

sentiu-se a vontade ali

distraidamente se multiplicou

até que

Fora arrancado numa manhã de feriado de junho

levando junto os músculos alimentadores de meus rebentos

sustentadores da sensualidade


IV


Eu me lembro da primeira vez que enfrentei uma grande empresa Unimed Londrina

sua covardia ameaçava a quimioterapia de minha companheira

senti um misto de dor e aventura

atravessado pelas espadas do mau senso

vi-me pequenino e minúsculo diante da frieza do pensamento capitalista reducionista

Mas

agigantei-me na emoção que me move

tremi de coragem

nadei em adrenalina

não dormi,
nem admirei estrelas amigas
como se fosse vingador sedento, na barbárie do século XXI

o remorso nunca me perguntou a razão de minha batalha

quando nem forças mais havia em mim

Queria soprar o valor de justiça







v

Eu não me lembro a primeira vez que um amigo me ajudou

Não senti dor nem aventura

Somente percebi que estavam ao meu lado

Sem falar, sem olhar

mas estavam ali

e agora percebo mais que nunca

que mais importante que a morte ou a vida

que a cura ou a doença

que a aprovação ou a reprovação

são os esforços que fazemos para alimentar os sonhos dos que estão ao nosso lado

proporcionando ao amigo

nosso tempo,

nosso esforço

e cultivo uma grande gratidão por isto

e qualquer dia poder te falar pessoalmente

sobre minha gratidão a você.
obrigado

sábado, 5 de setembro de 2009

Metáfora e metástase,resumo do câncer II


e o melhor de toda esta volta,

é,

que a dor não precisa ter dor!

sofre-se sem sofrer,

está-se dentro do triturador
e a gente somente olha ao horizonte
de qq local
bem longe

tão longe que apertamos os olhos pra
ver

e esticamos o pescoço
pra escutar

e sente, vê, escuta,
o triturador picar a nossa vida

faz aquele terremoto


mas não dói!
arrebenta tudo
revoluciona,cria,descria,arranca quantas lágrimas forem necessárias

coloca em xeque o que sonhamos

e tudo o que ocorre é
que saimos na ponta
e não dói!

não sei porque
não quero saber

sei que minha plenitude diante de tudo isto
é estar ao lado

e passar as mãos sobre sua cabeça
já sem cabelos

e vê-la

pela primeira vez
seu couro cabeludo
agora desnudo e a mostra
onde tanta vez

buscou o aconchego em meus ombros

só oportunidades peço

antes a fartura
que a miséria

quero me permitir
te acompanhar

Metáforas e metástases -resumo do cancer I


FOI O QUE ME LEVOU A ATENDER PESSOAS PORTADORAS DE CÂNCER
TER A DOENÇA POR PERTO!



Eu não me lembro onde eu estava quando fiquei sabendo.
Talvez se forçar a memória machucada até conseguiria
e eu não quero.
Só sei
que dentro da minha cabeça havia muito vento,
eu o sentia rodando em algum lugar.
Os meus pés estavam tão leves que
voavam ou flutuavam ou caíam?

E todas as manhãs eu tentava saber se era realmente verdade
se realmente estava acontecendo,
era comigo?

E as manhãs insistiam em me dizer que...
-sim!Sim,sim,mil vezes sim.
Ainda o vento estava por lá.

Era a realidade daquela nova vida
cujo câncer está por perto.
Eu nego?
Eu me revolto?
Eu ignoro?
Eu aceito?
Eu aceito.
Agora reestruturando tudo,
e visualizo os meus sonhos,
que estão por vir
que
quero insistentemente buscá-los

Me desculpe, eu não vou ignorar
os meus sonhos.

sábado, 22 de agosto de 2009

ESTA ETAPA-POEMA







Algumas vezes agradeço ao universo
algumas vezes peço ao universo


quando agradeço,
pelo céu azul de agosto
seu cheiro de palha seca e amarelada morta temporariamente
pela falta de chuva
que quando umedecida
convida

E por eu ter a sensibilidade momentânea de brindar este momento

E quando vejo as Últimas chuvas de maio
despedindo-se do verão
olho no final de tarde
e entrecortando ALGUNS raios de sol
nas nuvens de adeuses
azuis borrasquentas
bloqueando o fácil suspiro
do astro rei que esvai
como um corpo tombante
árvore milenar que cede ao golpe
e pela minha razão identificar
os fótons da tarde

E quando peço
soluço por dentro de minhas dores
amealhando
mendigando
nova oportunidade de conquistar a mim
somente
simplesmente
E depois
saber passar
a paz que não fiz nem semeei
E quando tentei
errei
aclamar os brados que de meu peito
gritaram em inocentes ouvidos

E por oportunidades de consciência que
talvez possa-me no futuro
me disponibilizar
nos cantos de ignorância atormentada

E nesta aclamação desesperada agradecida

vejo meus cabelos alterando suas cores a cada manhã
e minha jovem pele
acompanhando os sulcos da terra lavrada
na vida de meus tempos
de um outro compasso

pedindo um nova oportunidade

de te ver ao meu lado
com um pedaço de pano branco macio
Enxugar lágrimas que fiz você derramar
talvez
no meio de sua inocência


E agora te vejo longe

De pé com suas pequenas mãos
Segurando uns dedos aos outros
Olhando ao longe um não sei o que...

Talvez pensando sobre sua vida
futura
E...
Eu continuo vibrando por você
Para que em seu retorno
Possa
Eu
recomeçar

Que possa eu ajudar a reconstruir
o que acho que tentei ajudar a construir


Estando mais apto a fazer meu papel
de
Pai.
© TERAPIA E VIDA
Maira Gall